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MONSTRUOSO

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  Imagem :  Syaibatul Hamdi  [Texto de Franco "Bifo" Berardi , publicado em Il DISERTORE , em 26/05/2025. Tradução: Haroldo Gomes] Que palavra pode definir a arrogância da desumanidade que está se espalhando? Mas não posso. Disse Bertolt Brecht: EM MINHA LUTA ENTUSIASMO PELA MACIEIRA EM FLOR E HORROR AOS DISCURSOS DO PINTOR MAS APENAS O SEGUNDO ME EMPURRA PARA A MESA DE TRABALHO O horror que sinto pelos discursos de Netanyahu e pelas provocações covardes dos colonos israelenses é forte demais para que eu consiga me preocupar com qualquer outra coisa. Hoje não posso deixar de mencionar Yussuf al-Samary: "Yussuf al-Samary é um garoto de 15 anos, originário da cidade de Gaza, mas que vive com sua família deslocada no campo de al-Mawassi, na praia de Khan Younis. É seu último local de evacuação. Agora, toda a família vive em uma barraca feita de ripas de madeira e plástico transparente. Eles estavam anteriormente em uma escola em Hay Tuffah. Yussuf tentou comprar um sanduích...

“Voltar a nos entediar é a última aventura possível”: entrevista com Franco Berardi, Bifo

Entrevista com o filósofo italiano, Franco Berardi (Bifo) , feita por Amador Fernández-Savater, publicada no blog Interferencias , em 19/10/2018. Tradução: Vapor ao Vento. No começo dos anos 70, Pier Paolo Pasolini falava de “mutação antropológica” para se referir aos efeitos que a penetração da cultura do consumo na Itália estava tendo. O consumo alcançava e alterava camadas do ser que nem sequer o fascismo havia tocado. Todas as respostas – da política, da cultura, da filosofia – deviam ser repensadas à luz dos acontecimentos, segundo o poeta-cineasta. Em seu último livro Fenomenología del fin , um trabalho de mais de 15 anos, Franco Berardi (Bifo), filósofo e participante ativo dos movimentos autônomos italianos desde os anos 70, descreve a “mutação antropológica” de nossos dias: o impacto das tecnologias digitais sobre nossa percepção e nossa sensibilidade. O que é a sensibilidade? É a capacidade de interpretar sinais não discursivos, não-codificados. Pois bem, essa capac...

Pensar: uma necessidade contemporânea

Artigo de Amador Fernández-Savater , publicado no blog Interferências , no periódico El Diário (Espanha) , em 21/09/2018 . Tradução: Vapor ao Vento.   A catástrofe da sociedade contemporânea é produzir um tipo de relação com o mundo: a posição de espectador e de vítima. Não se trata de oferecer novos conteúdos mas de sair dela. Em A Sociedade do Espetáculo , um livro que desde seu aparecimento em 1967 se converteu num clássico (ou seja, um livro sempre contemporâneo ), o pensador francês Guy Debord afirma que a verdadeira catástrofe da sociedade moderna não é um acontecimento por vir, nem sequer um processo em marcha (mudança climática etc), mas um tipo de relação com o mundo : a posição de espectador, a subjetividade espectadora. Em que sentido? O espectador não entra em contato com o mundo, ele o vê frente a si. De um “mirante” (o espetáculo) que concentra o olhar: centraliza e virtualiza, separa da diversidade de situações concretas que compõem a vida. O ...