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MONSTRUOSO

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  Imagem :  Syaibatul Hamdi  [Texto de Franco "Bifo" Berardi , publicado em Il DISERTORE , em 26/05/2025. Tradução: Haroldo Gomes] Que palavra pode definir a arrogância da desumanidade que está se espalhando? Mas não posso. Disse Bertolt Brecht: EM MINHA LUTA ENTUSIASMO PELA MACIEIRA EM FLOR E HORROR AOS DISCURSOS DO PINTOR MAS APENAS O SEGUNDO ME EMPURRA PARA A MESA DE TRABALHO O horror que sinto pelos discursos de Netanyahu e pelas provocações covardes dos colonos israelenses é forte demais para que eu consiga me preocupar com qualquer outra coisa. Hoje não posso deixar de mencionar Yussuf al-Samary: "Yussuf al-Samary é um garoto de 15 anos, originário da cidade de Gaza, mas que vive com sua família deslocada no campo de al-Mawassi, na praia de Khan Younis. É seu último local de evacuação. Agora, toda a família vive em uma barraca feita de ripas de madeira e plástico transparente. Eles estavam anteriormente em uma escola em Hay Tuffah. Yussuf tentou comprar um sanduích...

“Vivemos submetidos a uma cruel tirania do gozo permanente”

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Entrevista feita por Amador Fernández-Savater / María García Pérez / Oche Zamora com Fernando Martín Adúriz , psicoanalista, autor de La ansiedade que no cesa (Xoroi, Barcelona, 2018) e Por qué se escribe. Cinquenta escritores (M.Gómez, Málaga, 2022), publicada no portal ctxt.es , em 7/6/2022. Tradução: Haroldo Gomes. O ponto de partida da teoria crítica, diziam os situacionistas, é a insatisfação. Nessa época, os anos sessenta, tratava-se do mal estar de uma vida submetida à repressão: na casa, na escola, na fábrica, no quartel. Sociedade disciplinar. E hoje? O mal da época, sem sombra de dúvida, são as crises de ansiedade e as crises de pânico. De que nos falam? O que nos dizem do mundo que habitamos? O mal estar social, intensificado na época da pandemia, recentemente ultrapassou os umbrais do mainstream . Fala-se sobre eles no Parlamento e na televisão, figuras conhecidas aparecem perante o grande público mostrando o lado b do êxito: depressão, exaustão, ansiolíticos. No entan...

O império do consumo

Eduardo Galeano  A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e arma mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco, quem bebe por conta, se embriaga o dobro. A farra aturde e nubla o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Porém, a cultura de consumo soa muito, como o tambor, porque está vazia; e à hora da verdade, quando o estrépito cessa e a festa se acaba, o bêbado desperta, só, acompanhado por sua sombra e pelos patos que há de pagar. A expansão da demanda choca com as fronteiras que o mesmo sistema que a gera, lhe impõe. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam de ar, e ao mesmo tempo necessita que andem pelo chão, como andam os preços das matérias primas e da força humana de trabalho. O sistema fala em nome de todos, a todos dirige suas imperiosas ordens de consumo, entre todos difunde a febre compradora; por...